Adivinhe quem vem para se comunicar?

Por Vanessa 19/03/2018
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Que bicho é esse? Site, blog, newsletter, release, literatura ou folheto publicitário?

Com a velocidade da comunicação e das redes sociais, não dá mais para trabalhar com adivinhação, nem confundir alhos com bugalhos.

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, já dizia o ‘filósofo esportivo’. Isso porque comunicação, como a própria palavra já indica, é tornar comum, descomplicar.

Há agências que ainda redigem um press release ou até um boletim em linguagem publicitária. Ou seja, cheia de adjetivos, para vender seu produto a quem quer somente informação, notícia. E que deseja, simplesmente, conhecer e comparar funções de produtos e serviços.

Quando o incauto leitor (um consumidor em potencial) se depara com o “imbróglio”, foge rapidamente. Algo fácil, hoje, pois basta clicar o mouse na palavra sair.

Então, como definir o que é e o que não deveria ser?

Site é uma vitrine para a empresa expor e vender seus produtos. Pode ser chamativo e fica bem melhor se proporcionar autosserviço. O texto pode ser marqueteiro e vendedor. Destacar os diferenciais de produtos, serviços e organizações.

Já o blog pode ser informativo ou apresentar curiosidades. É um diário digital, então deve partilhar sentimentos, ideias, observações e conclusões, próprias ou de terceiros, citadas nominalmente. O texto deve ser direto, simples, curto e fácil de ler. Release e newsletter têm receita similar: texto curto, na ordem direta (ou seja, sujeito verbo e predicado). Sem adjetivos nem superlativos. Deixemos avaliações de mérito para o comprador, não para o leitor.

Quem lê anseia por informações, números, características técnicas, novidades e comparações. Saber onde encontrar o que foi divulgado. Depois que decidir comprar, aí sim, quer saber o preço.

Pior do que texto jornalístico marqueteiro é o literário. É gastar chumbo grosso com caça fina. Ou seja, textos de boletim e de blog, por exemplo, têm vida curta. No jornal, a notícia dura, no máximo, um dia, exceto análises mais profundas sobre fatos que perdurem. Um livro pode ser eterno, ou longevo, se tiver as qualidades que cativar o leitor.

Texto direto, curto e objetivo é aquele que responde às clássicas cinco perguntas, que no idioma inglês chamamos de cinco Ws: What (o quê?), When (quando?), Who (quem?), Why (por quê?) e Where (onde?). Pode-se incluir aí o How (como?). Ou seja, começo, meio e fim.

Se alguém sentir um ‘cheiro’ de Fraser Bond, confesso, mais de 50 anos não o tornaram ultrapassado. Assim como o lide, o parágrafo condutor de abertura, continua um achado. Ou, parodiando Cazuza em “O tempo não para”: “eu vejo o futuro repetir o passado, vejo um museu de grandes novidades, o tempo não para”.

O mais importante em todo texto é a mensagem. Então, primeiramente deve-se decidir o que vai ser informado, como se fosse uma conversa. Pode também ser um comentário sobre algum assunto de conhecimento público, como a notícia que o governo vai reduzir IPI para estimular determinados setores da indústria.

Blog ou newsletter pode explicar essa notícia e, em seguida, mostrar o recado que se pretende transmitir. Por exemplo:

“Governo desonera IPI da linha branca. Com isso, nossa empresa poderá vender seus produtos por um preço menor e investir em modernização da produção e em qualidade. Veja mais no nosso site.”

Um press release, assim como um blog ou newsletter, deve ter linguagem acessível e sem jargões, termos técnicos, abreviaturas e siglas. O texto precisa descrever a notícia como o publico em geral gostaria de lê-la.

Notícia não pode soar como propaganda de um produto. Deve descrever os acontecimentos e transmitir a verdade, sem engrandecer o fato com elogios e feitos notórios da empresa ou instituição.

Ao fim e ao cabo, escrever com simplicidade é como a reta, o caminho mais curto entre dois pontos, raramente seguido. É escrever, ler, reler, cortar, reescrever, tomar um cafezinho ou um gole d’água, refazer um parágrafo ou o texto todo. Por que, o mais agradável para um jornalista, é contar uma história. Depois, procurar outra, e assim por diante. O tempo não para.